A Ex-cola de Psicanálise Passagem Freudiana manifesta publicamente a sua profunda preocupação com o avanço de discursos e forças políticas de inclinação fascista e totalitária, representadas de forma contundente pela candidatura e pelo histórico do candidato Flávio Bolsonaro.

Como instituição comprometida com a escuta, a formação de analistas, as subjetividades e a dignidade humana, entendemos que o posicionamento político em momentos de crise institucional não é apenas um direito, mas um dever ético.

O perigo iminente que tais lideranças representam atinge diretamente as bases do pacto social. A sustentação de uma sociedade mais justa depende da garantia de direitos fundamentais e de avanços sociais históricos, tais como a preservação e o fortalecimento do programa Farmácia Popular, do acesso das classes menos favorecidas à universidade pública, da garantia do aumento do salário mínimo acima da inflação e do debate necessário pelo fim da jornada de trabalho 6×1 — medidas essenciais para a dignidade da classe trabalhadora e para a redução das desigualdades que geram profundo sofrimento.

O risco da ascensão totalitária não é somente um receio pueril, mas advém das práticas da família Bolsonaro que, além de tentarem um golpe de Estado em 2021/2022, também se colocam na posição perversa de apoio ao Regime de Ditadura Militar, de 1964-1984.  Torturas, mortes e ausências de liberdade: eis o legado dos militares no poder. Elogiar ou relativizar qualquer torturador é no mínimo um acinte aos direitos dos povos.

Embora saibamos que a democracia liberal possui as suas limitações e contradições, as forças bolsonaristas exploram deliberadamente essas vulnerabilidades com o objetivo explícito de tensionar as instituições, flertar com o autoritarismo e propor a mudança da Constituição Federal para moldar o Estado a interesses autocráticos.

O maior risco quem corre é a democracia!

Para a psicanálise, essa ameaça é real!

A clínica psicanalítica é uma prática que existe e se sustenta em um ambiente de plena liberdade. O método freudiano baseia-se na livre associação de ideias, um processo que exige a autonomia do sujeito e a ausência de censura no setting analítico. Em contraposição, os governos totalitários representam um perigo direto às liberdades, pois operam pelo silenciamento, pelo medo, pela homogeneização das massas e pela destruição da alteridade.

Defender a democracia é, portanto, defender a própria sobrevivência da psicanálise e o direito de cada indivíduo existir em sua singularidade.

Diretoria da Passagem Freudiana

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